Resenhas: prefiro não fazê-las

Resenhas: prefiro não fazê-las
por Bárbara Marra

           Confesso que evito fazer resenhas de livros. Leio muito, escrevo sobre literatura, mas tenho dificuldade em falar sobre as obras que leio, tanto para elogiar, quanto para criticar. Quando indico um livro a um aluno ou amigo apenas digo: “é ótimo!” ou “você vai amar!”, assim bem vago. Ao refletir sobre essa dificuldade não foi difícil concluir que meu problema é mesmo o respeito. Isso mesmo. Respeito tanto uma obra literária que acho uma ousadia rebaixá-la à pequenez das minhas palavras. Não estou à altura dos meus ídolos. Não posso diminuir Hemingway à minha linguagem parca e pobre. Temo que algum leitor do meu texto julgue o escritor com base na minha falta de inspiração. Gostaria de indicar leituras de Clarice ao mundo todo, mas infeliz dela se lesse minha humilde resenha, com esse vocabulário pobre e esses sentimentos tão rasos. Logo ela que nos afunda na mente e nos sentimentos humanos de forma a nunca mais nos permitir voltar à tona. 


Farei, portanto, minhas indicações de livros e autores da única forma que julgo ser capaz: recolhida à minha simplicidade de letras, quase como que fazendo um pedido. Porque do muito que sei ler, pouco sei escrever. E não há que se perder tempo com os que pouco sabem, há sim que se mergulhar no grande laboratório de conhecimentos e sentimentos que é a literatura. Experimente a dor, o medo e a emoção que a boa leitura podem te oferecer, como num grande banquete intelectual. 


Mergulhe nas profundezas dolorosas de Clarice, experimente a vida do ponto de vista de quem já leu “O velho e o mar”, não deixe de sentir uma identificação transcendental com Martha Medeiros, conheça as duas mãos e o sentimento do mundo de Drummond, permita que Saramago te deixe sem ar, sem pontos e sem vírgulas, viaje com Cecília Meireles de volta à infância, conheça o mundo sem livros de Ray Bradbury, metamorfoseie-se num inseto para entrar no obscuro mundo de Kafka, desconfie você também dos olhos de cigana oblíqua e dissimulada de Capitu, descubra a invenção de Hugo Cabret e junto com ele a história do cinema francês, deixe que Orwell tire toda a sua ingenuidade com relação aos meios de comunicação, coma, reze e ame com Elizabeth Gilbert, dê umas risadas com Luís Fernando Veríssimo. Quando você voltar a si, terá se transformado em alguém muito melhor!


Temos pouco tempo e muitos livros. Não se apegue ao gosto alheio. Liberte-se do preconceito literário, que é tão burro quanto qualquer outro. Desfrute de um caminho solitário onde não existem experiências semelhantes. Na literatura, assim como na vida, cada um faz a sua história. Bem aventurados os que encontram gênios pelo caminho.  Pegue agora um bom livro qualquer e seja bem vindo à vida!


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